sábado, 23 de março de 2013
Se métrica
Em uma tentativa tola quis ter uma vida equilibrada e simétrica e acabou tornando a poesia sem métrica.
Deixe o poeta amar até a última lágrima, o palhaço sorrir até chorar, a criança pular até cair.
Deixe Nero incendiar, deixe a chama subir e te consumir.
Não, não pare por medo de ir.
E quando enfim o caminho descobrir, dane-se tudo.
Viva rimas e versos brancos.
A vida tem lá seus encantos!
Ponto Ação
? Tudo começou com uma pergunta e o mundo foi sendo construído.
! Houve quem exclamasse,
. Quem apontasse,
... Quem continuasse.
Eu assisto de longe e faço parte.
Sou criatura, criação, escritor,
Ator e público de um
Instante que persiste
n
s
i
s
t
em não ter f i m.
segunda-feira, 18 de março de 2013
Eu quero desconstruir o concreto dos teus dias
Eu quero enquadrar meus sonhos numa tela.
Eu quero uma aquarela pra pintar o sete.
Eu quero me perder e me achar por aí.
Entrequadrar os 33 graus deste dia tão belo.
Eu quero contemplar esse céu tão puro.
Onde as nuvens mesclam-se ao azul mais tênue.
Eu só quero três poderes: ver, ouvir e sentir o urbano tão verde destas terras.
Onde muitos são os poderes; poucas,as funcionalidades.
Eu quero atravessar ziguezagueando as seis faixas desse Eixão de meu Deus,para sentir a adrenalina correr, o coração pulular, entender o que é Vida.
Eu quero asas para atingir o cume e de cima olhar a perfeita sintonia desse lugar.
Eu quero voar longe e permanecer aqui.
Eu quero transcrever em palavras este céu de Monet.
Tão impressionante, quanto impressionista.
Eu quero pintar em versos essa epifania que me invade e me evade em olhos que sorriem.
Eu quero uma aquarela pra pintar o sete.
Eu quero me perder e me achar por aí.
Entrequadrar os 33 graus deste dia tão belo.
Eu quero contemplar esse céu tão puro.
Onde as nuvens mesclam-se ao azul mais tênue.
Eu só quero três poderes: ver, ouvir e sentir o urbano tão verde destas terras.
Onde muitos são os poderes; poucas,as funcionalidades.
Eu quero atravessar ziguezagueando as seis faixas desse Eixão de meu Deus,para sentir a adrenalina correr, o coração pulular, entender o que é Vida.
Eu quero asas para atingir o cume e de cima olhar a perfeita sintonia desse lugar.
Eu quero voar longe e permanecer aqui.
Eu quero transcrever em palavras este céu de Monet.
Tão impressionante, quanto impressionista.
Eu quero pintar em versos essa epifania que me invade e me evade em olhos que sorriem.
domingo, 17 de março de 2013
Endomingar
O cheiro do bolo de cenoura não se espalhou pela casa.
Não há o calor de outrora.
As ruas no domingo estão vazias.
Tão vazias quanto eu sem você.
Hoje eu acordei endomingada.
Falta o Hitchcock na minha tv, falta eu e você.
Falta o seu lençol, os tais sóis dos seus abraços.
Eu quero endomingar com você
Ver um filme.
Ou não.
Dormir com sua voz entoando Chico aos meus ouvidos.
Ou não.
Acordar, talvez.
Com você fungando meu pescoço.
É domingo, meu bem, vem comigo.
Visto aquele vestido florido outra vez.
E então, você segura a minha mão.
Segura firme, ao som do baião.
Em rodopios incessantes, tomemos o salão.
Me vê um pé-de-moleque, uma paçoca e uma canjica.
Nosso amor é fogueira de noite de São João.
"E no terreiro, o seu olhar, que incendiou meu coração!"
Não há o calor de outrora.
As ruas no domingo estão vazias.
Tão vazias quanto eu sem você.
Hoje eu acordei endomingada.
Falta o Hitchcock na minha tv, falta eu e você.
Falta o seu lençol, os tais sóis dos seus abraços.
Eu quero endomingar com você
Ver um filme.
Ou não.
Dormir com sua voz entoando Chico aos meus ouvidos.
Ou não.
Acordar, talvez.
Com você fungando meu pescoço.
É domingo, meu bem, vem comigo.
Visto aquele vestido florido outra vez.
E então, você segura a minha mão.
Segura firme, ao som do baião.
Em rodopios incessantes, tomemos o salão.
Me vê um pé-de-moleque, uma paçoca e uma canjica.
Nosso amor é fogueira de noite de São João.
"E no terreiro, o seu olhar, que incendiou meu coração!"
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Acoberta
É na madrugada que verdadeiramente se sente.
A luz do dia, que torna tudo tão perceptível e julgável, se foi.
O pudor, e não só ele, também o falso moralismo, se foi.
" - Sai da janela, Dona Aurélia! Cuida do teu feijão."
Se foram os que apontam, os que dispensam a todos seus preconceitos e impõem suas opiniões.
O silêncio não julga, acoberta, por baixo das cobertas, os amantes.
Que são reais, são passionais.
Instintivos seres humanos.
Na madrugada, não se ousa dissimular.
Ou se é ou não.
O silêncio à coerção.
A luz do dia, que torna tudo tão perceptível e julgável, se foi.
O pudor, e não só ele, também o falso moralismo, se foi.
" - Sai da janela, Dona Aurélia! Cuida do teu feijão."
Se foram os que apontam, os que dispensam a todos seus preconceitos e impõem suas opiniões.
O silêncio não julga, acoberta, por baixo das cobertas, os amantes.
Que são reais, são passionais.
Instintivos seres humanos.
Na madrugada, não se ousa dissimular.
Ou se é ou não.
O silêncio à coerção.
A poesia pede passagem
Eu nasci em versos. Em versos, me criei.
Se parar de versar, ao inverso ficarei.
Passa a moça bonita na rua, passa o ônibus, o cobrador,
Passa o senhor com seus sessenta anos, a velhinha e seu
tricô.
Do diverso faço verso, uniVERSOS fundei.
Assisto da calçada.
Eles passarão, a poesia passarinho.
Voando, vagando, cantarolando em vozes de cantor.
Planando pelo horizonte, desbaratinando por aí...
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