Hoje eu te escreveria, como o fazia há tantos dias.
Mas de hoje em diante não escrevo mais.
Não por me faltar a vontade, me falta o tempo.
Tem tempo que o tempo, truculento, me ata.
E me amordaça e me hostiliza e
Toma o meu corpo como engrenagem.
"Segunda à sexta tem serviço, vê se trabalha com afinco pra produtividade cair na conta no fim do mês"
"Sossega! Que esse mês ainda ganho hora extra pra pagar as "prestação"."
Falaram que tempo era dinheiro e as cifras, dissimuladas, se fingiram libertação.
Quem se presta, até na moléstia, a disciplinar o corpo à exaustão?
Quão produtivo é isso de repetir a mesmice? Pensa!
O que move não é sonho. É cafeína, taurina e alienação.
E o operário repete: rotula a garrafa, o biscoito, os homens pelo que têm.
Falta tempo, sobra temporal. Restam segundos para amar.
E olhe lá!
quarta-feira, 12 de junho de 2013
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Bolsa de mulher
Excesso de bagagem!
Tem perfume, pasta e escova de dente.
Tem absorvente.
Tem o pingente da proteção, o brinco de pérolas, a passagem do ônibus,
O assento do avião.
Escolho a janela!
Tem saldo de banco, tem extrato de saudades, tem ingresso de cinema
Daquele filme que nem se vê.
Tem moedas soltas das mais valiosas!
Dá pra jogá-las no poço dos desejos e pedir pra te ter.
Tem perfume, pasta e escova de dente.
Tem absorvente.
Tem o pingente da proteção, o brinco de pérolas, a passagem do ônibus,
O assento do avião.
Escolho a janela!
Tem saldo de banco, tem extrato de saudades, tem ingresso de cinema
Daquele filme que nem se vê.
Tem moedas soltas das mais valiosas!
Dá pra jogá-las no poço dos desejos e pedir pra te ter.
domingo, 31 de março de 2013
Desquite
É sempre no passado a união.
É sempre no presente a intersecção.
É sempre no futuro o não.
Não pertence, não contém, não convém.
Separação.
O vazio nesse sempre é sempre subconjunto de toda a multidão.
É sempre no presente a intersecção.
É sempre no futuro o não.
Não pertence, não contém, não convém.
Separação.
O vazio nesse sempre é sempre subconjunto de toda a multidão.
domingo, 24 de março de 2013
Smart phone, dumb life
Venha turn on seu phone.
Saiba que ele é very smart.
Na hora do rush, o 3G dá um up.
A sua interface é hightech,
Num touch, eu checo as novidades.
Contato a friendzone,
Confirmo presença no happy hour.
Se vem face to face, ignoro.
Falar é tão last week. Olho no olho tá pra lá de Marrakesh.
Mando adicionar no Face, confirmo friend request.
No chat, viro BFF.
Eu só vivo online.
Se perco a conexão,
Put a keep are you,
Turn off a social life.
sábado, 23 de março de 2013
Se métrica
Em uma tentativa tola quis ter uma vida equilibrada e simétrica e acabou tornando a poesia sem métrica.
Deixe o poeta amar até a última lágrima, o palhaço sorrir até chorar, a criança pular até cair.
Deixe Nero incendiar, deixe a chama subir e te consumir.
Não, não pare por medo de ir.
E quando enfim o caminho descobrir, dane-se tudo.
Viva rimas e versos brancos.
A vida tem lá seus encantos!
Ponto Ação
? Tudo começou com uma pergunta e o mundo foi sendo construído.
! Houve quem exclamasse,
. Quem apontasse,
... Quem continuasse.
Eu assisto de longe e faço parte.
Sou criatura, criação, escritor,
Ator e público de um
Instante que persiste
n
s
i
s
t
em não ter f i m.
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